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Shiba Inu, o que está por trás da moeda-meme?

5
minutos de leitura

Shiba Inu, o que está por trás da moeda-meme?

23 Sep
Investimentos
Mitie Okabayashi
Content Analyst
23/9/22

1.165% de alta em 4 semanas. Isso mesmo, Shiba Inu (SHIB), a criptomoeda que surgiu sem nenhuma pretensão, e tampouco algum projeto ou desenvolvimento sério, valorizou 11,6 vezes em menos de 1 mês. Com isso, seu valor de mercado atingiu incríveis 52 bilhões de dólares em 27 de outubro.

Como uma cripotomeda-meme pode valer tanto?

Calma. Para entender esse fenômeno, precisamos voltar alguns anos no tempo. Tudo começou com Dogecoin (DOGE), a primeira criptomoeda-meme, que surgiu como uma brincadeira entre dois amigos no final de 2013.

Um grupo resolveu investir no marketing, e a moeda com o logotipo do cachorro da raça Shiba Inu ganhou fama. Seu valor de mercado atingiu 51 milhões de dólares em janeiro de 2016, colocando-a na quinta colocação no ranking, atrás de Bitcoin, XRP, Ethereum e Litecoin.

Como é possível clonar uma moeda?

Os engenheiros de software Billy Markus e Jackson Palmer copiaram o código-fonte de outra moeda, o Litecoin. Acredite se quiser, copiar o software e fazer pequenas mudanças é algo que não custa quase nada. O difícil é fazer centenas ou milhares de pessoas instalarem o aplicativo.

Ok, na época ainda havia a dificuldade de listar a criptomoeda em alguma corretora (exchange), porém isso não é mais empecilho por conta das exchanges descentralizadas. Nesse caso, qualquer um pode cadastrar novas moedas, embora seja garantia de destaque dentre as 10 mil disponíveis.

Que fim levou Dogecoin?

Sua história é realmente curiosa, pois envolveu o suposto patrocínio a equipe de bobsled da Jamaica, além da falência da exchange Moolah em outubro de 2014, responsável por grande parte do volume da negociação de DOGE.

Não bastasse, o co-criador da Dogecoin, Billy Markus, vendeu sua posição em 2015 em troca de um Honda Civic usado.

Como Dogecoin segue viva?

Esse passado marcado por atrocidades criou uma onda de fãs e entusiastas, embora nenhum desenvolvimento nos últimos 4 anos. No início de 2018, DOGE atingiu um valor de mercado de 21 bilhões de dólares, porém cedeu 83% no mês seguinte, acompanhando a correção do Bitcoin.

No início de 2021, a criptomoeda-meme tornou a ganhar holofotes, apoiada pelo grupo WallStreetBets da rede social Reddit, e em seguida através do CEO da Tesla, e um dos homens mais ricos do mundo, Elon Musk.

A lista de celebridades que endossou o projeto despretensioso incluiu o rapper Snoop Dogg, a lenda do rock Gene Simmons, e Mark Cuban, dono da equipe Dallas Mavericks da NBA.

Isso catapultou seu valor de mercado em maio de 2021 para incríveis 97,5 bilhões de dólares. No entanto, sem fundamentos para sustentar a alta, uma correção de 78% ocorreu nos 43 dias seguintes ao pico.

Shiba Inu (SHIB) é uma cópia do Dogecoin?

Não, acredite se quiser, é algo que demanda ainda menos esforço. Shiba Inu (SHIB) é um criptoativo que só existe na rede blockchain, o banco de dados descentralizado, da Ethereum. Ou seja, não precisa de usuários instalando o software, pois aproveita a segurança de outra criptomoeda.

Criada por um pseudônimo em agosto de 2020, aproveitou-se dos memes postados por Elon Musk que citavam o cachorro da raça Shiba Inu, o logotipo da Dogecoin. No entanto, não havia nenhuma programação ou projeto por trás da Shiba Inu.

Como Shiba Inu ganhou fama?

O criptoativo fez um esforço para abraçar os fãs do TikTok através de memes e um discurso de descentralização Em seguida, numa jogada de marketing, em maio de 2021, destinou 50% das moedas em circulação para Vitalik Buterin, criador da Ethereum.

Algumas semanas depois, Vitalik repassou 10% das moedas SHIB para um fundo de reparos sociais na Índia, e destruindo o restante, o que gerou ainda mais destaque na mídia.

Afinal, supostamente essas moedas teriam valor de mercado superior a 6,5 bilhões de dólares — se fosse possível vendê-las na cotação de mercado.

Enfim, Shiba Inu é um fenômeno social, e independente de ter ou não um projeto por trás, possui uma grande legião de fãs, o que sustenta sua valorização.