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Segurança desde o primeiro commit: Secure SDLC em produtos cripto

Segurança desde o primeiro commit: Secure SDLC em produtos cripto

No cripto, a segurança não é opcional. Com o Secure SDLC, protegemos wallets, exchanges e apps Web3 desde o primeiro commit.

Nicolas Campos
Especialista em cibersegurança
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28/8/25

No cripto, uma única linha de código mal escrita pode custar milhões. Por isso, quando se trata de desenvolver wallets, exchanges ou plataformas Web3, a segurança não pode ser uma etapa final: ela precisa fazer parte do processo desde o início.


É aí que entra o Secure Software Development Life Cycle (Secure SDLC): uma abordagem que integra controles de segurança em cada fase do desenvolvimento, desde o design até a manutenção.

O que é o Secure SDLC?

O Secure SDLC é um modelo que estende o ciclo de vida tradicional de desenvolvimento de software, incorporando práticas de segurança em cada etapa. Em vez de tratar os problemas quando já estão em produção, o objetivo é prevenir vulnerabilidades desde a origem.

Por que é especialmente importante no cripto?

  • Os sistemas são públicos e expostos por design.
  • Não há como reverter erros on-chain.
  • Os ativos em jogo têm valor financeiro real.
  • As aplicações costumam ser composables, o que multiplica o impacto de uma falha.

Etapas do Secure SDLC aplicadas a produtos cripto

  1. Requisitos com foco em ameaças
    Antes de escrever código, definem-se requisitos funcionais e de segurança específicos: como proteger a chave privada? O que acontece se uma transação for interrompida? Quem pode acessar os fundos?
    Também é feito um threat modeling (modelo de ameaças) para identificar possíveis vetores de ataque de acordo com o produto (wallet, bridge, protocolo etc.).
  2. Design com segurança por padrão
    São escolhidos padrões seguros: privilégio mínimo, separação de funções, proteção de dados sensíveis (como chaves, seeds, access tokens) e uso de criptografia auditada.
    Em produtos on-chain, também se definem mecanismos como pausas de emergência (circuit breakers) ou limites por transação (rate limits).
  3. Desenvolvimento com ferramentas e boas práticas
    • Linters e verificadores de segurança (por exemplo, Slither para Solidity ou semgrep para backends).
    • Uso de bibliotecas revisadas e com manutenção ativa.
    • Evitar código customizado em funções sensíveis como geração de chaves, hashing ou criptografia.
    • Unit testing + fuzz testing.
  4. Revisão de código e auditorias
    Revisões por pares com foco na lógica crítica. Em produtos cripto, isso inclui:
    • Auditorias internas (segurança ofensiva dentro da equipe).
    • Auditorias externas de smart contracts e sistemas backend.
  5. Testes contínuos e varreduras automáticas
    Integração de ferramentas no CI/CD que detectam vulnerabilidades (SAST, DAST, varredura de dependências).
    Em smart contracts, também testes com redes de teste, simuladores de forks e ferramentas como Echidna, MythX ou Foundry.
  6. Release com controles
    Versionamento claro, deploys protegidos, configuração de permissões. Em produtos Web3, isso implica:
    • Revisar quem tem permissões de upgrade.
    • Definir mecanismos de timelock e multisig para alterações on-chain.
  7. Monitoramento e resposta pós-release
    • Logging seguro (sem vazamento de chaves).
    • Alertas para anomalias no uso do produto.
    • Bug bounty público ou privado (programas como Immunefi).

Como isso funciona na prática?

Um exchange que aplica Secure SDLC define políticas de segurança em sua API desde o design, desenvolve com validações automáticas em cada pull request, verifica suas dependências em cada deploy e revisa alterações na infraestrutura com múltiplas equipes.

Uma wallet Web3 que segue Secure SDLC evita armazenar chaves sem criptografia desde a primeira linha de código, testa interações com contratos maliciosos antes de lançar atualizações e publica features com feature flags para monitorar o impacto.

A segurança no cripto não se improvisa. Adotar um Secure SDLC permite construir produtos mais resilientes, minimizar erros críticos e proteger os usuários desde o design.

O conteúdo deste artigo tem apenas fins informativos e/ou educacionais. Não constitui aconselhamento financeiro, legal, fiscal ou de investimento, e não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar qualquer ação específica.

Antes de tomar decisões financeiras, de investimento ou comerciais, é recomendável consultar um assessor ou profissional qualificado na área correspondente.Os ativos digitais podem apresentar alta volatilidade em suas cotações. A Ripio não oferece garantias ou representa a viabilidade ou adequação desses ativos como uma opção de investimento.