A tecnologia que dá origem às criptomoedas, como as redes blockchain e contratos inteligentes, não se limita apenas a esse uso. Na verdade, habilita novas possibilidades de criação e expansão para infraestruturas que usamos todos os dias.
O que significa DePIN e de onde surge o termo?
O termo DePIN vem do inglês Decentralized Physical Infrastructure Networks. Em português, traduz-se como redes de infraestrutura física descentralizadas.
É usado para se referir a infraestruturas do mundo real, como redes de telecomunicações, energia, conectividade, armazenamento e outras, levadas a um modelo descentralizado. Esse novo esquema utiliza tokens e incentivos do mundo cripto e Web3 para dar novas dinâmicas ao sistema.
Da infraestrutura centralizada aos modelos colaborativos
Tradicionalmente, infraestruturas como antenas de telecomunicações ou servidores de internet foram propriedade de grandes empresas do setor público ou privado.
Isso confere ao sistema um caráter centralizado e de difícil acesso. Somente pessoas ou entidades com grandes capitais podiam investir nele. O resultado desse modelo é que, muitas vezes, zonas pouco rentáveis ficavam desatendidas ou com serviços de menor qualidade.
As DePIN propõem uma mudança: em vez de depender de um único ator central, criam-se redes colaborativas nas quais qualquer pessoa pode aportar recursos físicos em menor escala e receber uma compensação por isso.
Por que se combina com Web3 e tokens
Como em tantas outras tecnologias disruptivas, a Web3 é o motor desse modelo. “Web3” refere-se a um novo esquema de internet voltado para uma estrutura mais descentralizada e governada pelos usuários.
Por meio de contratos inteligentes e registros em blockchain, a Web3 permite que as contribuições de cada participante fiquem registradas de forma transparente, sem necessidade de intermediários que administrem os pagamentos ou a contabilidade da rede.
Ao mesmo tempo, os tokens têm um papel fundamental, pois servem como meio de troca de valor nesse esquema. Por meio da distribuição de tokens, oferecem-se incentivos econômicos a quem aporta infraestrutura. Os tokens recebidos podem ser usados dentro do ecossistema ou comercializados em outros mercados por outros tokens, criptomoedas ou dinheiro fiduciário.
Como funcionam as redes físicas descentralizadas?
As redes de infraestrutura física descentralizadas funcionam sob uma lógica diferente da das empresas tradicionais que fornecem serviços como internet, energia ou armazenamento de dados. Para que essa lógica seja possível, elas se baseiam em tecnologias ligadas ao mundo cripto, como blockchain e contratos inteligentes.
De forma mais prática, em vez de depender de uma única companhia que constrói e mantém toda a infraestrutura, as DePIN distribuem essa tarefa entre muitos participantes. Esses participantes fornecem recursos físicos — antenas, roteadores, placas solares, sensores, discos de armazenamento — e recebem uma recompensa em tokens ou criptomoedas por isso.
Por exemplo, em uma rede descentralizada de internet, qualquer pessoa pode instalar um dispositivo em sua casa que forneça cobertura Wi-Fi na região. Cada vez que alguém usa esse serviço, o sistema registra a atividade na blockchain e atribui uma recompensa ao dono do dispositivo.
Outros casos de aplicação podem ser um produtor que compartilha energia renovável com outros ou alguém que oferece capacidade de armazenamento digital a partir de seu próprio computador.
Papel da comunidade e da governança descentralizada
O grande diferencial desse modelo é que ele elimina intermediários e distribui tanto os custos quanto os benefícios entre os participantes. Não é uma empresa que controla o serviço, mas sim uma comunidade coordenada por contratos inteligentes.
Isso permite que a rede cresça de forma orgânica, no ritmo da demanda e do interesse dos usuários. Além disso, zonas pouco atrativas para empresas tradicionais podem ter acesso aos serviços graças ao aporte de indivíduos motivados pelas recompensas.
Uma vez que as DePIN têm uma estrutura consolidada e um conjunto regular de usuários, podem migrar para um esquema de governança descentralizada, como as DAO (organizações autônomas descentralizadas). Nessas organizações, os detentores de tokens têm participação no desenvolvimento da rede, votando em propostas de melhorias do protocolo, como já ocorre em redes DePIN como Render e Helium, das quais falaremos a seguir.
Casos de uso reais de DePIN
O modelo proposto pelas DePIN não é apenas teórico; ele já possui casos de aplicação no mundo real. Vamos revisar os mais importantes em diferentes setores.
Conectividade: Helium
Helium é um dos casos mais conhecidos de DePIN. O projeto se concentra nas telecomunicações, mais especificamente em conexões de internet para celulares e dispositivos inteligentes.
A ideia é que qualquer pessoa instale um dispositivo chamado “hotspot” para fornecer cobertura sem fio na sua área. Em troca, recebe recompensas em tokens HNT.
Segundo seu site oficial, a Helium já conseguiu implantar mais de 380.000 pontos de acesso no mundo todo sem necessidade de investimento de empresas em torres ou antenas.
Armazenamento: Filecoin
Filecoin aplica a lógica das DePIN ao armazenamento digital. Nesse caso, os usuários podem “alugar” espaço em seus discos rígidos através da rede. Quem precisa guardar informações paga em tokens FIL por esse serviço.
Assim, em vez de depender exclusivamente de grandes servidores centralizados como os da Amazon ou Google, cria-se uma nuvem distribuída, mais resistente a falhas e com incentivos econômicos para quem aporta espaço.
Energia ou renderização: Render Network
Também não podíamos deixar de mencionar projetos da área de energia e processamento gráfico. Um deles é a Render Network, por meio da qual pessoas com poder computacional ocioso o alugam para artistas, designers ou desenvolvedores.
Principalmente, a Render Network é usada para o aluguel de placas gráficas de alto desempenho necessárias para tarefas de renderização 3D.
No entanto, o projeto também abrange iniciativas de energia descentralizada. Nesses casos, produtores de energias renováveis podem injetar seu excedente na rede e ser remunerados em tokens.
Por que as DePIN estão crescendo?
Agora que já entendemos em que consistem as DePIN e alguns dos projetos mais representativos desse campo, é hora de compreender por que esse modelo está ganhando cada vez mais espaço dentro do ecossistema cripto e da Web3.
Baixo custo, escalabilidade e adoção comunitária
O principal atrativo das DePIN é que reduzem os custos iniciais de infraestrutura. Como explicamos antes: em vez de uma empresa investir milhões em antenas ou servidores, a rede se constrói graças a milhares de pequenos aportes distribuídos.
Além de baratear o investimento, isso permite que o crescimento seja escalável, pois a rede pode se expandir de forma orgânica à medida que mais usuários se juntam.
Por outro lado, não podemos omitir o fator social ao analisar o crescimento das DePIN. Os participantes não são apenas clientes, mas atores ativos da rede que fazem parte de algo maior e recebem uma recompensa direta por colaborar.
O interesse de VCs e ecossistemas como Solana
Claro que o impacto social tem ainda mais alcance quando complementado por capital privado. Justamente por isso, outro motivo para o crescimento das DePIN é o apoio de fundos de capital de risco (VCs) e de ecossistemas blockchain consolidados.
Um exemplo claro é o ecossistema Solana, que nos últimos anos tem apoiado fortemente o desenvolvimento de projetos DePIN em sua rede. A rede oferece escalabilidade e baixos custos de transação, dois pontos-chave para projetos DePIN que estão começando. Render e Filecoin, dois projetos mencionados anteriormente, são exemplos de DePIN que integram tecnologia da Solana.
Oportunidades e desafios do modelo DePIN
As redes de infraestrutura física descentralizada são uma proposta inovadora. No entanto, como toda tecnologia emergente, enfrentam desafios importantes.
Um deles está relacionado à escalabilidade e segurança. Para que cresçam, é fundamental garantir que os dados e transações estejam protegidos, que os nós funcionem de maneira honesta e que as recompensas sejam justas. Além disso, precisam encontrar modelos econômicos sustentáveis ao longo do tempo.
Por fim, outro desafio é a competição com soluções centralizadas. As empresas tradicionais têm experiência, capital e redes de clientes que lhes dão vantagem inicial. Para que as DePIN alcancem adoção em massa, devem demonstrar que podem oferecer serviços de igual ou melhor qualidade, com preços competitivos e confiabilidade.
O conteúdo deste artigo tem apenas fins informativos e/ou educacionais. Não constitui aconselhamento financeiro, legal, fiscal ou de investimento, e não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar qualquer ação específica.
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