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O que é uma “bridge” em blockchain e como funciona

O que é uma “bridge” em blockchain e como funciona

Saiba o que é uma bridge em blockchain, como funcionam os diferentes tipos de pontes, exemplos populares como Wormhole e LayerZero e as boas práticas

Fernando Clementin
Jornalista e tradutor.
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29/8/25

Cada rede blockchain tem sua criptomoeda nativa e, ao mesmo tempo, muitas redes permitem a criação de tokens nelas. Um exemplo claro é o Ethereum, onde convivem diversos tokens como USDT, USDC, BNB, UNI e muitos outros.

No entanto, esses tokens nem sempre se limitam a uma única rede e é comum encontrá-los em diferentes blockchains. Para que isso seja possível, existem as “bridges” ou pontes, que permitem transferir criptomoedas ou tokens de uma rede para outra.

Como funciona uma “bridge”?

Para usar uma “bridge” entre blockchains, o primeiro passo é garantir que ela seja compatível com as duas redes que queremos conectar. Por exemplo, se quisermos transferir USDT da rede Ethereum para a Solana, precisaremos usar uma ponte que ofereça suporte a ambas as blockchains.

O processo começa com uma transferência de USDT para o endereço de Ethereum fornecido pela bridge. Uma vez confirmada a transação —o que pode levar alguns minutos—, a ponte solicitará que indiquemos o endereço de destino na Solana para concluir a operação.

Após a confirmação, receberemos o equivalente ao que depositamos (menos as taxas) para poder operar na Solana e em todos os protocolos de sua rede.

O que não se vê desse intercâmbio é que a ponte muitas vezes resgata ou “queima” os tokens na rede nativa e emite novos tokens na rede de destino. Dessa forma, reduz-se o estoque de USDT no Ethereum e novas unidades são criadas na Solana. Esse mecanismo garante que não existam duas cópias idênticas do mesmo token em diferentes redes.

Quando um token não existe de forma “original” em uma blockchain, emite-se uma versão “embrulhada” (“wrapped”), que representa o ativo original e mantém seu valor, mas adaptado à rede de destino. Por exemplo, se transferirmos BTC para Ethereum, o que receberemos será Wrapped BTC (wBTC), um token ERC-20 respaldado por bitcoin real que pode ser usado em aplicações DeFi sobre Ethereum.

Tipos de pontes blockchain

Existem diversos tipos de bridges blockchain. Esses protocolos podem ser classificados principalmente de acordo com sua estrutura e a direção do fluxo de ativos.

Por um lado, temos pontes centralizadas e descentralizadas. Nas primeiras, uma empresa ou organização controla o funcionamento do protocolo e custodia os fundos dos usuários durante a transação. Já nas descentralizadas, essa função é realizada por um contrato inteligente, que é um programa autônomo que executa as operações automaticamente quando certas condições são atendidas.

Por outro lado, existem pontes unidirecionais e bidirecionais. Como você pode imaginar, nas primeiras só é possível levar fundos de uma rede para outra, em um único sentido, sem possibilidade de retorno. Nas bidirecionais, os tokens podem “ir e voltar” entre duas redes.

Também existem diferenças de acordo com o mecanismo técnico que cada ponte utiliza para mover ativos. Algumas bridges trabalham com o modelo de lock and mint (“bloqueio e emissão”), em que o token original é bloqueado na rede de origem e um token equivalente é emitido na rede de destino.

Outra abordagem semelhante é o modelo burn and mint (“queima e emissão”). Nesse caso, os tokens enviados são destruídos ou “queimados” na rede de origem, em vez de ficarem bloqueados temporariamente. Portanto, não é possível recuperar esses tokens na rede original. Se o usuário quiser voltar, deve realizar uma nova operação, no sentido inverso, para queimar e emitir tokens novamente.

Finalmente, algumas bridges funcionam por meio de liquidez nativa ou liquidity pools, com um fundo compartilhado de tokens em ambas as redes que permite realizar a troca rapidamente.

Exemplos populares de bridges

Algumas das pontes entre redes blockchain mais utilizadas são:

  • Wormhole: uma das bridges mais reconhecidas. Conecta as principais redes do ecossistema DeFi e também oferece ferramentas para integração em aplicativos descentralizados. É de código aberto e foi auditada por especialistas em segurança da Uniswap, o maior protocolo DeFi do Ethereum.
  • LayerZero: um conhecido protocolo de troca de dados entre blockchains. O diferencial do LayerZero é que possui aplicações próprias, como Ethena, EtherFi, Radiant e Stargate, que aproveitam essa comunicação entre redes descentralizadas para oferecer serviços.
  • Stargate: descrita como uma “camada global de liquidez” e, como dito, faz parte do ecossistema LayerZero, desenvolvido pela Omnichain. Permite a troca de uma grande variedade de tokens entre muitas redes DeFi.
  • USDT0: embora não seja uma ponte propriamente dita, mas sim uma ferramenta da Tether (emissora da stablecoin USDT), cumpre a mesma função. Pode ser usada para transferir USDT de uma rede para outra e movimenta mais de USD 2 bilhões por mês.

Boas práticas ao usar bridges

As “bridges” ou pontes entre redes blockchain são uma solução indispensável em um ecossistema descentralizado, com múltiplas alternativas e funcionalidades. No entanto, também é verdade que seu uso envolve riscos.

É fundamental verificar sempre se os endereços que inserimos ao usar uma bridge estão corretos e são compatíveis com a rede escolhida. Lembre-se de que as transações são irreversíveis e um erro pode fazer com que você perca seus fundos.

Além disso, é importante usar pontes de reputação sólida e auditadas. Os contratos inteligentes usados pelas bridges já foram alvo de ataques —com roubos milionários entre 2020 e 2022—, mas as mais conhecidas fizeram grandes melhorias e reduziram com sucesso essas brechas de segurança.

Uma boa dica é começar testando com valores pequenos e, depois de garantir que tudo funciona bem, transferir o restante dos tokens desejados. E não se esqueça de revisar as taxas que serão descontadas em cada operação!

Em resumo, as bridges são ferramentas muito poderosas para quem opera com tokens de diferentes blockchains. No entanto, uma “bridge” deve ser usada com cautela, informação e paciência. Uma transação mal feita pode não ter volta.

O conteúdo deste artigo tem apenas fins informativos e/ou educacionais. Não constitui aconselhamento financeiro, legal, fiscal ou de investimento, e não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar qualquer ação específica.

Antes de tomar decisões financeiras, de investimento ou comerciais, é recomendável consultar um assessor ou profissional qualificado na área correspondente.Os ativos digitais podem apresentar alta volatilidade em suas cotações. A Ripio não oferece garantias ou representa a viabilidade ou adequação desses ativos como uma opção de investimento.