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O que é mineração de criptomoedas?

9/2/20

O conceito de mineração imediatamente remete a ideia de "mina de ouro', pás, picaretas e extração de outros metais e pedras preciosas. Satoshi Nakamoto, o inventor do Bitcoin, escolheu esse termo em uma analogia à mineração de ouro, referindo-se ao mecanismo de emissão de novos bitcoins

Os mineradores são as pessoas que executam os nós da rede de uma criptomoeda e são parte fundamental do funcionamento e da integridade da rede de todas as criptomoedas.

Eles têm como missão reunir as transações conforme forem ocorrendo, ordená-las em blocos e adicioná-las à cadeia - Lembrando que, em uma blockchain, cada bloco deve referir-se ao anterior para que seja válido.

Esse papel vai continuar existindo até mesmo depois que o último ativo for minerado e será sempre fundamental para a rede.

A diferença entre as criptomoedas será o algoritmo de consenso, ou seja, como a rede chegará a um resultado único que agrade a maioria dos nós da rede.

Existem diversos tipos de soluções: Prova de Trabalho (PoW, na sigla em inglês), Prova de Participação (PoS) e Prova de Capacidade (PoC) são alguns exemplos. Algumas moedas, porém, utilizam a combinação desses e outros fatores para determinação do mecanismo de consenso. 

Prova de Trabalho (PoW)

A Prova de Trabalho (do inglês Proof of Work - PoW) é o mecanismo de consenso do Bitcoin, que utiliza o algoritmo SHA 256. A rede cria um enigma de difícil resolução (mas de fácil checagem) e os participantes acordam que o primeiro a resolver ganha o direito a criar o próximo bloco.

Dessa forma, mineradores utilizam seus recursos computacionais para descobrir a solução do problema encontrando o hash correto - o hash é como se fosse uma "impressão digital" de um arquivo ou um dado.

O enigma é matematicamente programado para não ter atalhos, ou seja, não tem como burlar. Em média, todo esse processo leva dez minutos. O minerador que vence essa corrida e cria o novo bloco recebe bitcoins como recompensa, além das taxas inclusas nas transações processadas.

A PoW é muito criticada por ser uma atividade de uso intensivo de energia elétrica. Em países como o Brasil, onde o custo do insumo é muito alto, a atividade de mineração acaba sendo inviabilizada, mesmo com as recompensas.

Outras moedas que utilizam esse mecanismo de consenso:

Prova de Participação (PoS)

A forma de mineração PoS (do inglês Proof of Stake), usa um sorteio aleatório para decidir quem será o criador do próximo bloco.

Nesse modelo o potencial criador já deve contar com ativos na moeda específica e quem tiver mais moedas tem mais chances de ser o criador/sorteado. Por isso, o termo aqui não é exatamente "minerar" a moeda, mas sim "forjar".

É necessário alocar uma quantidade de moedas para este processo, variando de rede para rede, e caso tente comprometer ou alterar o bloco perderá suas moedas em stake e a possibilidade de futuramente poder utilizá-las no processo. Isto em teoria garante a integridade dos participantes.

A PoS é muito mais eficiente em termos de consumo de energia, uma vez que não exige força computacional para a resolução do algoritmo, porém há quem considere que este tipo de prova de consenso é tendencioso e demandam inteligência social para que os recém-chegados consigam participar.

Outro importante ponto positivo é a segurança, pois quanto mais descentralizada a rede é, mais segura se torna. E rodar um nó de uma moeda PoS tende a ser mais acessível, tanto financeiramente quanto tecnologicamente, portanto mais pessoas passam a ter acesso.

Moedas que utilizam esse mecanismo de consenso:

  • EOS
  • Stellar
  • Waves
  • Dash
  • Cardano
  • Entre outras.

O PoS é o algoritmo de consenso mais usado como alternativa ao PoW, sendo que suas regras são definidas em contrato. Por isso, há diferentes tipos de Prova de Participação:

  • DPoS - Delegated Proof of Stake: algoritmo utilizado pela Tron e EOS, o DPoS funciona por eleição com uma quantidade fixa de membros validadores. Quem detém tokens pode votar em quem validará as transações da rede.
  • LPoS - Leased Proof of Stake (Prova de Participação Líquida): forma utilizada pela Tezos, em que a delegação é opcional. Quem possui o token pode delegar seu direito de validação a outros membros da rede, mas, continuando com a posse de seus tokens.
  • Masternode Proof of Stake: algoritmo usado pela Dash, os nós da rede que mantém um armazenamento mínimo de moedas (1mil unidades, no caso da Dash) são recompensando a cada bloco forjado.
  • Existem vários outros protocolos PoS e muitos a serem criados, uma vez que cada rede pode definir suas regras como Prova de Participação vinculada (BPoS), Prova de Participação Híbrida (HPoS) PoS etc.  

Prova de Capacidade

A prova de capacidade é um algoritmo de consenso que permite que dispositivos de mineração da rede usem o espaço disponível nos seus discos rígidos para a mineração de criptomoedas.

Guarda semelhanças com a prova de participação por também ser disputada via sorteio, porém nesse caso quanto mais espaço no HD disponível maior a chance de ser o criador do próximo bloco.

É considerado o mecanismo de consenso mais sustentável, pela menor utilização de energia elétrica. Em contrapartida, tem como desvantagens a menor taxa de adoção e a possibilidade de um malware afetar a atividade de mineração.

Moedas que utilizam esse mecanismo de consenso:

  • Storj
  • Burst
  • Filecoin
  • Entre outras.

Diferentes modelos com diferentes objetivos

Existem diversos tipos de consenso, cada um idealizado para um propósito diferente.

É preciso ponderar que não existe um tipo de mineração melhor que a outra, existem mecanismos diferentes solucionando desafios diversos. Ou seja, cada um tem o seu objetivo no qual permite se extrair recursos ao máximo para atingir aquilo que foi almejado.