Bitcoin e petróleo: a geopolítica marcou o ritmo dos mercados em abril

Geopolítica, petróleo e cripto marcaram abril: entenda como impactaram o Bitcoin, o Ethereum e o mercado global.

Fernando Clementin
Jornalista e tradutor.

Estreito de Ormuz, petróleo, Estados Unidos, Irã… todos esses foram termos muito repetidos durante o mês que está terminando, tanto nas manchetes de política internacional quanto nas de finanças.

Tudo o que acontece no mundo influencia as emoções e decisões do mercado, assim como as políticas monetárias dos governos. Como sempre, Bitcoin, Ethereum e as demais criptomoedas não são exceção à incerteza dos mercados globais.

Bitcoin e Ethereum no verde

A poucas horas do fim de abril, o balanço mensal mostra um saldo positivo para as duas principais criptomoedas do mercado. Em 29 de abril de 2026, o BTC subiu 12% nos últimos 30 dias, enquanto o ETH valorizou 10%.

A recuperação do Bitcoin representou um salto de USD 67.000 para USD 75.800 no quarto mês do ano. Com isso, retomou um preço que não alcançava desde os primeiros dias de fevereiro.

Preço do BTC durante o mês de abril. Fonte: Ripio Trade.

O Ethereum, por sua vez, foi mais volátil, e a cotação de USD 2.275 no fechamento desta nota ficou levemente abaixo do preço médio dos últimos 15 dias. Apesar dessa fraqueza relativa no curto prazo, houve uma melhora em relação ao valor de USD 2.100 registrado no início de abril.

Fatores que impulsionaram a recuperação do mercado cripto

O “cessar-fogo” acordado entre Estados Unidos e Irã em 9 de abril foi um ponto de inflexão para os mercados, que reagiram de forma positiva à notícia. Após meses de tensão, isso trouxe um pouco de calma e melhores expectativas em relação a fatores como risco global, taxas de juros e liquidez.

Por outro lado, o preço do petróleo teve altos e baixos, em reação aos diversos bloqueios e desbloqueios do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas petrolíferas do mundo.

Desde 7 de abril, houve uma queda acentuada de USD 115 por barril de petróleo para o nível de USD 100, embora tenha ocorrido uma nova alta nas últimas horas. Essa nova subida foi consequência da saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP.

Durante boa parte de abril, o preço do petróleo trouxe alívio aos mercados. Fonte: Trading Economics.

E por que o preço do petróleo influencia tanto os mercados? Sua relevância está no fato de que as variações do preço do petróleo geram uma reação em cadeia em vários pontos da economia real.

Quando o combustível sobe, a logística, a produção e os gastos de consumo ficam mais caros. Quando isso se traduz em inflação, as taxas de juros sobem ou permanecem elevadas, o que, por sua vez, se reflete em menos crédito e maior aversão ao risco em nível institucional. Vale esclarecer que essa relação não é absoluta nem automática, mas sim uma tendência histórica.

Em resumo, o Bitcoin não se move pelo preço do petróleo em si, mas pelo que ele provoca. Se o petróleo cai, a pressão inflacionária e as taxas de juros cedem, e o capital volta a fluir para ativos de risco, como as criptomoedas.

O alerta continua, e as altcoins sabem disso

O alívio temporário mencionado não significa que a situação já esteja resolvida. Há criptomoedas que, por diferentes motivos, não sentiram o impacto positivo de abril. É o caso de XRP, BNB e Solana, cuja variação no mês foi inferior a 1%. Essas criptomoedas, mesmo estando no Top 10 do mercado, são mais sensíveis à volatilidade que pode ser causada por eventos próprios de seus ecossistemas ou do setor DeFi em geral.

Nesse contexto, a conclusão é a mesma que temos apontado neste espaço nos últimos meses: o mercado permanece atento aos acontecimentos e muito dependente de eventos que possam inclinar a balança para o otimismo ou para a cautela. Enquanto isso, o Bitcoin registra um momentum positivo que não era visto desde janeiro.