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DAOs 3.0: governança descentralizada evoluída

DAOs 3.0: governança descentralizada evoluída

Entenda o que são as DAOs 3.0 e como evoluem a governança descentralizada com reputação, IA e novos modelos de participação mais eficientes e escaláve

Fernando Clementin
Jornalista e tradutor.
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1/5/26

A sigla DAO refere-se a “organizações autônomas descentralizadas” (em inglês, “Decentralized Autonomous Organizations”). Basicamente, são modelos de organização que utilizam blockchains para a tomada de decisões e a atribuição de funções.

As DAOs têm quase uma década de existência. Como tudo no ecossistema cripto, evoluíram para potencializar suas funções e reduzir limitações.

O que define as DAOs 3.0 e em que se diferenciam de suas predecessoras

O modelo das DAOs “tradicionais” baseava-se na posse de tokens para participar da governança da organização. Ou seja, quem possui determinada quantidade de tokens de governança pode votar em debates sobre o avanço e desenvolvimento do projeto.

Isso traz transparência à organização. Como os dados registrados em uma blockchain são imutáveis, qualquer pessoa pode consultá-los a qualquer momento. Essa vantagem se traduziu em uma governança mais sofisticada e profissional, incluindo sistemas de tesouraria geridos por vários membros da entidade.

Com o tempo, as DAOs enfrentaram problemas como a concentração de poder entre usuários com mais tokens ou a baixa participação da comunidade nas votações. Somaram-se a isso desafios de coordenação operacional — comuns a quase qualquer organização — e dificuldades para criar propostas de valor sustentáveis ao longo do tempo.

Como resposta, surgem inovações que dão origem às DAOs 3.0. Entre as principais, podemos destacar:

  • Sistemas de reputação, que permitem registrar e exibir o histórico de participação de cada integrante.
  • Novos modelos de participação, incluindo funcionalidades como comitês modulares e delegação inteligente de tarefas.
  • Integração com identidades descentralizadas, contribuindo também para a reputação do usuário.
  • Incorporação de inteligência artificial para automatizar processos.

Em resumo, essas melhorias têm dois objetivos principais: eficiência e escalabilidade. A ideia é continuar incorporando usuários sem prejudicar a organização, apoiando-se em funções automatizadas. Ambos os objetivos seguem o princípio fundamental das DAOs: a descentralização.

Novos modelos de governança: da delegação inteligente aos comitês modulares

Nos primeiros anos das DAOs, os temas eram votados de forma geral. Isso significa que qualquer usuário qualificado para votar (com base na posse de tokens de governança) podia participar.

Nas novas DAOs, propõe-se o uso de comitês modulares. Eles funcionam como subgrupos especializados, com certo grau de independência, responsáveis por tratar temas específicos como marketing, desenvolvimento, segurança, entre outros.

Dessa forma, as decisões são tomadas mais rapidamente, com menos fricção e mantendo a descentralização. Naturalmente, permanece a obrigação de prestar contas à comunidade central da organização.

Nesse contexto, a delegação inteligente consiste em atribuir poder de voto a outros participantes de acordo com o tipo de proposta ou área de conhecimento. Por exemplo, um membro de uma DAO pode delegar automaticamente seu voto em decisões técnicas a um desenvolvedor com experiência comprovada.

Essa delegação se conecta diretamente com duas melhorias mencionadas anteriormente: reputação e identidade verificável. Ambas permitem que os usuários comprovem suas contribuições e trajetória, gerando confiança entre seus pares.

Por fim, tudo isso se integra com o uso de contratos inteligentes e inteligência artificial para automatizar tarefas e suas atualizações. Por exemplo, se a reputação de um usuário diminui, ele pode perder responsabilidades que lhe foram delegadas anteriormente.

Casos de sucesso: projetos que já operam com estruturas DAO 3.0

Até aqui pode parecer algo teórico, difícil de aplicar na “vida real”. No entanto, existem muitos projetos que operam sob estruturas DAO, como protocolos DeFi (finanças descentralizadas), plataformas de negociação de NFTs (tokens não fungíveis) e outros projetos da web3.

Um exemplo é o Arbitrum, a rede de segunda camada mais utilizada no Ethereum. Em 2025, sua DAO passou a utilizar comitês modulares para a gestão de bolsas e projetos. Isso significa que os recursos gerados pela rede são redistribuídos com o consenso da comunidade.

De forma semelhante, o Optimism Collective utiliza um modelo de governança dividido em duas partes: uma para detentores de tokens e outra para não detentores. Considerando que se trata da terceira maior L2 do Ethereum, é relevante que o consenso seja baseado não apenas no poder econômico, mas também em outros fatores.

Por fim, vale mencionar a MakerDAO, organização por trás da stablecoin DAI (top 20 do mercado cripto). A Maker também utiliza subgrupos chamados MetaDAOs para governança modular, responsáveis por diferentes áreas do ecossistema.

Desafios pendentes e o futuro da governança descentralizada

As inovações técnicas descritas têm uma premissa central: garantir que o valor gerado pelas comunidades seja gerido com justiça e transparência por seus próprios membros.

Ainda assim, existem desafios importantes. O principal é garantir que a tomada de decisões seja ágil, transparente e descentralizada. Equilibrar a concentração de poder é fundamental nesse aspecto.

Outro ponto é a verificação de reputação e identidade sem comprometer a privacidade (ao menos em certo grau) dos usuários.

Por fim, há um desafio transversal a todo o ecossistema cripto: a regulação. À medida que as legislações evoluem, as DAOs precisarão definir critérios para responsabilidade legal, tributação e capacidade de firmar contratos — fatores essenciais para interagir com instituições e com o sistema financeiro tradicional.

O conteúdo deste artigo tem apenas fins informativos e/ou educacionais. Não constitui aconselhamento financeiro, legal, fiscal ou de investimento, e não deve ser interpretado como uma recomendação para tomar qualquer ação específica.

Antes de tomar decisões financeiras, de investimento ou comerciais, é recomendável consultar um assessor ou profissional qualificado na área correspondente.Os ativos digitais podem apresentar alta volatilidade em suas cotações. A Ripio não oferece garantias ou representa a viabilidade ou adequação desses ativos como uma opção de investimento.